quarta-feira, janeiro 31, 2007

Para uma menina irritante

Para uma menina irritante
Porque você é uma menina irritante, e eu peço licença ao Vinícius de Moraes por adotar seu estilo de escrever ao me dirigir a você, e não só a ele, como também à "Menina como uma flor", e não só a ela, como a você, permita-me a pouca criatividade.
Você é irritantemente linda com esses cabelos da franja sob a testa que relembram as penugens de um passarinho, e que são iguaizinhos aos meus, que tanto odeio, mas que em você ficam fabulosamente encantadores.
Irritantemente chata, que quando começa uma brincadeira sem graça não termina nunca, a repetindo inúmeras e inúmeras vezes. Irritante também ao gaguejar, quando é propositalmente, é claro, me matando de ansiedade na espera da palavra que forçosamente você reluta em dizer.
Você é a pessoa mais irritante porque me faz querer mais da vida, coisa que nem eu mesma provoco em mim. Faz parecer que trabalhar é bom. Que ter rotina é a melhor coisa do mundo. Isso porque você fala do seu trabalho como alguém que saliva ao ver um prato de macarrão suculento ou uma pizza quatro queijos; porque você é disciplinada e também porque você faz ginástica, três vezes por semana.
É irritante por exigir que as pessoas olhem uma nos olhos das outras enquanto brindam. Que culpa tenho eu se só vejo sua boca? Porque dentro da sua boca tem aqueles dentões, brancos e certinhos, que precisam ir muito ao dentista, e lá eles são fotografados, para que você possa mostrá-los para todo mundo enquanto conta que tem bruxismo. E você tem as sobrancelhas grossas e olhos puxadinhos, que quando sorri desaparecem. E porque você é a única menina irritante que tem a risada mais gostosa que eu conheço e o humor mais incompreendido, como você mesma sabe.
E você também é uma menina irritante por me desconcertar quase que sempre. Como no dia da pizzaria em que eu pretendia te espiar às escondidas, e fui pega no flagra; e porque nesse dia você me fez passar a maior vergonha da minha vida. Mas eu adorei os abraços que ganhei.
E não deixa de ser irritante porque no dia em que machucaram meu olho você foi a única que se indignou, dizendo me defender, se estivesse presente no momento. Assim sendo, eu lhe agradeço a consideração.
Você é uma menina irritante porque está sempre a me propor convites que nunca cumpre; e porque quando sou eu quem os proponho você aceita, por três segundos, convencendo me ao contrário logo em seguida; e assim eu vou ficando sufocada na vontade de reviver um cinema com você. Porque você não deixa de ser uma dessas pessoas erradas, que conhecemos em um dia sem muito esperar, e acaba se tornando mais errada ainda, porque nos apaixonamos. Porque você é uma menina sobre a qual tenho vontade de falar com os amigos ou de lembrar sempre que toca alguma música do Vinícius ou do Chico, que fale de mulheres surpreendentemente, ou melhor, irritantemente apaixonáveis. E você é uma menina cheia de teorias furadas sobre frustrações e não frustrações amorosas, e mesmo cética, não deixa de ser irritante.
E é mais irritante mesmo por me fazer ter insônia, como hoje, em que te escrevo. Em que te escrevo sobre como me irrita sentir isso que sinto por você, que não é amor, por isso não se assuste, viu? mas é uma "possibilidade de amor". E você desperta em mim uma vontade de proximidade, uma vontade de te conhecer mais e mais, mas isso, porque você é uma menina irritante.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Apolo

Apolo e Jacinto, de Jean Broc




Apolo (em gr., Απόλλων) é um deus grego (Febo, na Roma), filho de Zeus e Leto, e irmão gémeo de Ártemis (deusa da caça). Em época mais tardia foi identificado com Hélios, deus do sol, pois era antes o deus da luz, e por arrastamento, a sua irmã foi identificada com Selene, deusa da lua. Mais tarde ainda, foi conhecido primordialmente como uma divindade solar. Na mitologia etrusca, foi conhecido como Aplu. Ao seu nome acrescenta-se, por vezes, epítetos relacionados com os locais onde era venerado, como o título de "Abeu" (de "Abas"), como era conhecido em Chipre.
Mas o seu culto estendia-se muito para além do culto solar. Apolo é também o deus da cura e das doenças, pai de Asclépio, ou Esculápio, venerado junto com este em grandes templos-hospitais, onde se curavam várias doenças, sobretudo através do sono. É ainda o deus da profecia. Inúmeros oráculos eram-lhe atribuídos, sendo o mais famoso e Oráculo de Delfos, o mais importante de toda a antiguidade que era visitado por inúmeros visitantes, alguns dos quais nem eram gregos. Como deus da música Apolo era representado tocando a sua lira, e é o líder das Musas.
Zeus, seu pai, presenteou-o com arco e flechas de ouro, além de uma lira do mesmo material (sua irmã Ártemis ganhou os mesmos presentes, porém de prata). Todos eram obra de Hefesto, o Deus do fogo e das forjas. - Algumas versões dizem que Apolo ganhou a lira como um presente de Hermes.
Outra faceta deste deus é a sua parte mais violenta, quando ele usa o arco, para disparar dardos letais que matam os homens com doenças ou mortes súbitas. Ainda assumindo este lado mais negro, Apolo é o deus das pragas de ratos e dos lobos, que atormentavam muitas vezes os gregos.
Finalmente, Apolo é o deus dos jovens rapazes, ajudando na transição para a idade adulta. Assim, ele é sempre representado como um jovem, frequentemente nu, para simbolizar a pureza e a perfeição, já que ele é também o deus destes dois atributos.
A árvore mais sagrada para Apolo é o loureiro. Crê-se que alguns sacerdotes mastigavam loureiro para dizerem as profecias, outros usavam ramos de loureiro para salpicar o templo na purificação, ou para purificar a água com o fogo. As coroas de louro eram muitas vezes oferecidas a alguém que tinha conseguido algo extraordinário, superando-se a si mesmo, na procura da arete, o ideal grego simbolizado por este jovem deus.
Apolo participa em diversos mitos, incluindo a famosa Guerra de Tróia, onde está do lado dos troianos, dizimando os aqueus com praga quando estes ofendem o seu sacerdote troiano, e acabando por matar Aquiles. A maioria dos mitos que dizem respeito a Apolo falam dos seus inúmeros amores, sendo os mais famosos Dafne, uma ninfa que foi transformada em loureiro (daí a sacralidade da árvore para Apolo), Jacinto, que se transformou na flor com o mesmo nome, e Ciparisso, o qual se transformou em Cipreste. Nestes mitos amorosos, Apolo nunca tem sorte, e existe um mito que conta que isto se deve ao facto de ele se gabar de ser o melhor arqueiro entre os deuses, o que faz com que Eros, deus do amor, sinta inveja.
Ao deus Apolo é tradicionalmente consagrado o dia 22 de Janeiro.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Dionísio

Dyonisios Louvre


Dioniso ou Dionísio é o deus grego equivalente a Baco, no panteão romano, deus das festas, do vinho e do lazer. Filho de Zeus e da princesa Semele, é o único deus filho de uma mortal.
Ocorre que Hera, ciumenta de mais uma traição de Zeus, instigou Semele a pedir ao seu amante (caso ele fosse o verdadeiro Zeus) que viesse ter com ela vestido em todo seu esplendor, tal como anda no Olimpo. Semele então pediu que Zeus atendesse a um pedido seu, sem saber qual seria. Ele concordou e imediatamente se arrependeu.
Uma vez concedido o pedido teria que cumpri-lo. Ele então voltou ao Olimpo e colocou suas vestes maravilhosas, já sabendo de antemão o que ocorreria. De fato, o corpo mortal de Semele não foi capaz de suportar todo aquele esplendor, e ela virou cinzas. Assim, Dioniso passou parte de sua gestação na coxa de seu pai. Quando completou o tempo da gestação, Zeus o entregou em segredo a Ino (sua tia) que passou a cuidar da criança com ajuda das híades, das horas e das ninfas.
Depois de adulto, ainda a raiva de Hera torna Dioniso louco e ele fica vagando por várias partes da Terra. Quando passa pela Frígia, a deusa Réia o cura e o instrui em seus ritos religiosos. Sileno ensina a ele a cultura da vinha, a poda dos galhos e o fabrico do vinho.
Curado, ele atravessa a Ásia ensinando a cultura da uva. Ele foi o primeiro a plantar e cultivar as parreiras, assim o povo passou a cultuá-lo como deus do vinho.
Dioniso puniu quem quis se opor a ele (como Penteu) e triunfou sobre seus inimigos além de se salvar dos perigos que Hera estava sempre pondo em seu caminho.
Nas lendas romanas, temos Dioniso como Baco, que se transforma em leão para lutar e devorar os gigantes que escalavam o céu e depois foi considerado por Júpiter como o mais poderoso dos deuses.
É geralmente representado so a forma de um jovem imberbe, risonho e festivo, de longa cabeleira loira e flutuante, tendo, em uma das mãos, um cacho de uvas ou uma taça, e, na outra, um tirso (um dardo) enfeitado de folhagens e fitas. Tem o corpo coberto com um manto de pele de leão ou de leopardo, traz na cabeça uma coroa de pâmpanos, e dirige um carro tirado por leões.
Também pode ser representado sentado sobre um tonel, com uma taça na mão, a transbordar de vinho generoso, onde ele absorve a embriaguez que o torna cambaleante. Eram-lhe consagrados: a pega, o bode a lebre.
Às mulheres que o seguiam como loucas, bêbadas e desvairadas se dava o nome de bacantes.
É considerado também o deus protector do teatro. Em sua honra faziam-se ditirambos na Grécia Antiga e festas dionisíacas.

Fonte *Wikipedia

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Pequenas Epifanias 2 - Caio Fernando Abreu

Carta anônima

Para se ler ao som de Melodia Sentimental, de Villa-Lobos cantada por Olívia Byington
Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.). E fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria, seriam?
Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.
Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.
Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo.
Caio Fernando AbreuO Estado de S. Paulo, 16/03/88
Pequenas epifanias

Pequenas Epifanias - Caio Fernando Abreu

Pequenas Epifanias

Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de “minha vida’.
Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus -, enviou-me um certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer – eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda bem – não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mau me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector – Tentação- na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou – descuidado, também – em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
O Estado de S. Paulo, 22/04/86.Caio Fernando Abreu

sexta-feira, janeiro 12, 2007

O Amor não tira férias

Ficha Técnica

Título Original: The Holiday Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 138 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Estúdio: Columbia Pictures Corporation / Universal Pictures / Waverly Films / Relativity Media Distribuição: Sony Pictures Entertainment / Columbia Pictures / Universal Studios Inc. / UIP Direção: Nancy Meyers Roteiro: Nancy Meyers
Produção: Bruce A. Block e Nancy Meyers
Música: Hans Zimmer Fotografia: Dean Cundey Desenho de Produção: Jon Hutman Direção de Arte: Dan Webster Figurino: Marlene Stewart Edição: Joe Hutshing
Efeitos Especiais: Snow Business International / Furious FX

Sinopse
Iris Simpkins (Kate Winslet) escreve uma coluna sobre casamento bastante conhecida no Daily Telegraph, de Londres. Ela está apaixonada por Jasper (Rufus Sewell), mas logo descobre que ele está prestes a se casar com outra. Bem longe dali, em Los Angeles, está Amanda Woods (Cameron Diaz), dona de uma próspera agência de publicidade especializada na produção de trailers de filmes. Após descobrir que seu namorado Ethan (Edward Burns) não tem sido fiel, Amanda encontra na internet um site especializado em intercâmbio de casas. Ela e Iris entram em contato e combinam a troca de suas casas, com Iris indo para a luxuosa casa de Amanda e esta indo para a cabana no interior da Inglaterra de Iris. Logo a mudança trará reflexos na vida amorosa de ambas, com Iris conhecendo Miles (Jack Black), um compositor de cinema que trabalha com Ethan, e Amanda se envolvendo com Graham (Jude Law), irmão de Iris.
Impressões:
O filme teve todo um interesse especial para mim. Identifiquei-me muito com Isis... e a minha catarse foi surpreendente. É interessante como, em alguns momentos, nos encontramos tão iludidos diante de um relacionamento ou sentimento que não nos atentamos para as verdadeiras nuances do que aquilo de fato significa.
Talvez seja pelo medo de ficar só ou também por se prender ao que já foi um dia. Mas a questão é que quando acaba é porque já terminou, e não há muito o que fazer, apenas aceitar e tentar transformar o depois no mais confortável possível. Primeiro, é inviável uma amizade, pelo menos não de início. Não dá para manter uma proximidade, porque isso fará mal, e se enganar de que não fará só torna as coisas piores.
Existem sim pessoas levianas e egoístas no mundo que estão disposta a te prender em suas redes de inconstância e confusão. Estarás disposto a isso?
Artur diz a algo muito interessante a Isis quando diz a ela que ela deve ser a protagonista da sua vida e não a melhor amiga. Em outras palavras, temos que tomar as rédeas de nossas vidas e não buscar subterfúgios que nos confortem momentâneamente, fazendo com que soframos a doses homeopáticas. Cortar o mal pela raiz e não se deixar levar por falsas esperanças. Pois "mesmo você sabendo que ama a pessoa errada, tem esperança de estar errado, então qualquer atitude positiva que ela fizer vai fazer você esquecer o quanto ruim essa pessoa é para você... "
Isso eu acho que aprendi.
Outra parte interessante é a que explica os próximos passos de um relacionamento desacreditado. É fato que a ansiedade humana faz com que procuramos formas e mais formas de aliviar a dor. Então saímos para beber chardoney (no meu caso cerveja), choramos, beijamos quem não queríamos. Na verdade, vira um monte de acontecimentos que você não entende o porque deles. Mas, você entende que há, nesses momentos pessoas que te dão a maior força e que há também a chance de conhecer novas pessoas que poderão aliviar esse período, até que apareça a pessoa certa.
Estou tranquila disso.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Trechos

Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.

Clarice Lispector


"Ri sozinha quase o tempo todo, uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz."
(Adaptado de 'O dia em que júpiter encontrou saturno' de Caio Fernando Abreu)

domingo, janeiro 07, 2007

Lista 2007

Para 2007 espero:
  • Engordar 5 kilos (isso me lembrou Briget Jones, ao inverso é claro)
  • "Endurecer sem perder a ternura"
  • Beber menos (isso também me lembrou Briget)
  • Amar livremente (?)
  • Comprar uma máquina digital
  • Comprar uma bike
  • Praticar esportes - essa é uma meta que se repete a cada ano...
  • Dar continuidade ao meu livro
  • Não ser preguiçosa
  • Fazer uma guinada profissional, em outras palavras, TRABALHAR
  • Ser mais familiar
  • Estudar e ler mais
  • Ter fé em mim
  • Praticar meus hobbies
  • Aprender fazer drinks
  • Aprender culinária e conhecer vinhos
  • Ser equilibrada, menos exagerada e menos dramática
  • Saber me cuidar melhor, sem perder a mágica da vida e sem me deixar levar pelas frustações
  • Dar o melhor de mim mesmo que me seja suscitado o pior
  • Mudar-me quando necessário, e para melhor, nunca agir com repúdio a vida, mesmo que esta tenha sido cruel demais
  • Involver-me com artes
  • Procurar fazer mais programas ao ar livre
  • Fazer pelo menos um amigo verdadeiro (isso foi bem coisa de livro tipo "como fazer amigo e influenciar pessoas")
  • Acampar
  • Viajar
  • Ir a uma trance
  • Conhecer pelo menos um lugar que eu nunca tenha ido
  • Cuidar melhor da minha avó
  • Continuar rindo de mim mesma
  • Tentar e me empenhar em ir morar sozinha
  • Cantar
  • Ser BEM MAIS decidida
  • E divertir sempre e sempre mais...........

FIM

A lucidez perigosa - Clarice Lispector


A lucidez perigosa - Clarice Lispector



Estou sentindo uma clareza tão grande

que me anula como pessoa atual e comum:

é uma lucidez vazia, como explicar?

assim como um cálculo matemático perfeito

do qual, no entanto, não se precise.



Estou por assim dizer vendo claramente o vazio.

E nem entendo aquilo que entendo:

pois estou infinitamente maior que eu mesma,

e não me alcanço.

Além do que: que faço dessa lucidez?

Sei também que esta minha lucidez

pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes.



Pois sei que

- em termos de nossa diária

e permanente acomodação resignada à irrealidade

- essa clareza de realidade é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,

porque ela não me serve para viver os dias.

Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis.

Eu consisto,

eu consisto,

amém.