terça-feira, setembro 06, 2005
Sobre o Tempo
quarta-feira, agosto 31, 2005
Narcisimo
Hoje foi um dia como outro qualquer. Esforcei-me para levantar no mesmo instante em que o despartador tocou, mas como de práxis, enrrolei-me. Tem coisa mais deliciosa do que acordar antes do despertador? Realmente é uma sensação confortante.
No mais, biblioteca, depois trabalhar e em seguida fui assistir uma palestra sobre o Nietzsche. Alguns reencontros e bate-papos.
No caminho de volta para casa, coloquei-me a pensar sobre o porque que eu gosto tanto de me olhar. Estou sempre a procurar um reflexo de mim mesma.. seja em um vidro, em poças, latas, onde for possível. Mas o engraçado que não precisamente em um espelho. Na verdade, espelho só pela noite, e em meu quarto.
Ao pensar nisso veio-me a lembrança de que alguns amigos me consideram um tanto quanto narcisista. Então relacionei as duas idéias e conclui que meu narcisismo não é assim tão destacado.
Quando me olho, e sei que faço muito, não estou procurando uma exaltação "da minha beleza", porque sei que estou longe de ser a beleza em pessoa. Mas gosto de me olhar com intuito de me conhecer. Olho-me admirando pelo que sou e como sou, e não me vangloriando. Isso seria uma forma de narcisismo? Não procuro uma auto-afirmação. Gosto sim de brincar comigo, fazer caretas, expressões e ter conversas francas.
Mas na verdade me adoro muito. Tenho orgulho de mim, e raramente tenho problemas com a tal da estima (alta ou baixa?). Deixo os problemas se manifestarem de outras maneiras e em outros aspectos.
Mas e daí????????
Só me ocorreu de pensar nisso hoje.
sexta-feira, agosto 26, 2005
Ouvindo além
A porta se abre. Eu corro e com um pulo já estou dentro do ônibus, que, por incrível que pareça, está relativamente vazio, não um vazio ao ponto de que todos os passageiros possam se sentar. Mas lá estou eu, grudada à porta com os olhos baixos. Literalmente na minha, quando me dou por surpreendida por uma voz que insiste em sobresair às demais.
Um rapaz alto, magro e repleto de piercings (sobre os quais não consigo precisar a localização). Ele dialoga com uma senhora velha, tipicamente velha. O rapaz relatava sobre o período em que esteve em um presídio. (O interessante é que relatos deste tipo já me ocorreram em ônibus). Discorrendo entre estórias como a tentativa de matá-lo à chave de fendas enquanto dormia, e ele reagindo matando o agressor com uma peixeira, passando por explanações acerca da aparição do Satanás que lhe surgia na forma de uma linda mulher que engrossava a voz na medida que com ele conversava, algo do que ele disse verdadeiramente me marcou. A discussão se dava permeada por expressões teológicas, a cada duas frases um Graças a Deus! era proferido. O que à primeira vista, e de fato o era, parecia uma conversa a tons elevados decidida a chocar as pessoas que ali se encontravam e, que normalmente, eu não perderia meu tempo prestando atenção, exerceu em mim mais do que um choque.
" No meio da minha cabeça tem uma cruz que foi feita a navalha." Eis a frase que me despertasse para aquele papo. O que me intrigou não foi a realidade ou toda profundidade da frase, mas sim a sua poesia. Até então, aquela conversa marcada por expressões sociais não parecia querer mais do que chamar a atenção para si. O linguajar cotidiano e a subjetividade de cada interlocutor pareceu se desfazer. No entanto, a frase à mim se apresentou de uma maneira paradoxal. Ao mesmo tempo em que ela me despertou para conversa ela também me expeliu, fazendo com que eu só fixasse à minha atenção na sua poesia. E como era linda sua poesia.
A porta se abriu.
quarta-feira, agosto 24, 2005
Tão gente
Meu ócio não é criativo.
Minha vida disfarça-se em relatos do ir do vir.
Apaixono-me estranhamente por desconhecidos. Um olhar, as mãos, a palavra dita em hora imprópria.
Iludo-me. Desiludo-me. Inevitávelmente sozinha.
Inebrio-me de rostos, que a mim me tornam corriqueiros.
Ando pela multidão sem levantar o olhar, sem mirar-me a cada rosto que através e por mim passa.
Sinto-me tão gente.
segunda-feira, agosto 22, 2005
Ausência Partilhada

A CHUVA CAI LÁ FORA. SUA CHAVE SOB A MESA. SUA CANECA, COM A DOCE MARCA DE SEUS LÁBIOS, JUNTO À CHAVE ESTÁ A ME OLHAR.
PORQUE HOJE DE VOCÊ SÓ RESTA A CANECA?
A CADA QUEIMAR DE UM CIGARRO - MEU RELÓGIO EM CINZAS!
LEMBRO-ME DAS MANHÃS EM QUE TE SERVIA COM ESSA CANECA.
JÁ SE FOI UM MAÇO DE CIGARRO, E NENHUM TRAGO.
QUANTO TEMPO TEM EM CADA CIGARRO?
QUANTAS LEMBRANÇAS DE TI CABEM EM CADA CIGARRO?
TUDO ERA CALMO. TUDO ERA CERTEZA. TUDO ERA COTIDIANAMENTE ROTINA.
TUDO ESTAVA EM ORDEM QUANDO VOCÊ CHEGOU.
NO ARMÁRIO HAVIA APENAS UMA CANECA. HAVIA!
AGORA SÃO DUAS E UMA ALMA SÓ. DESCONFIGURADA.
RETALHADA EM LEMBRANÇAS.
E AS MALDITAS CHAVES ESTÃO AQUI TAMBÉM.
AQUI NESSE APARTAMENTO QUE SEMPRE FOI SÓ MEU, COM UMA ÚNICA CANECA NO ARMÁRIO.
E AGORA É TÃO NOSSO. MAS ESTOU SOZINHA.
PORQUE DEIXASTES A CHAVE?
PROVOCAR-ME?
E A CHUVA CONTINUA.
domingo, agosto 21, 2005
Tempo, irreconhecível tempo.
quarta-feira, agosto 17, 2005
Passeata: LIMPEZA JÁ! XÔ CORRUPÇÃO!!

Passeata: LIMPEZA JÁ! XÔ CORRUPÇÃO!!
Data: 20 de agosto de 2005
Horário: Concentração as 15:00 hs da tarde, saída as 15:30 hs.
Local: Concentração e saída na Praça do Cruzeiro, Setor Sul, Goiânia
Itinerário: Saindo da Praça do Cruzeiro, pela avenida 84 até o Palácio das Esmeraldas e depois pela rua na.Gerciana Borges Teixeira até a Alameda dos Buritis e por ela até a Assembléia Legislativa.
Atividades: Saída da Praça do Cruzeiro com carro de som e grandes manifestações, parada no Palácio da Esmeraldas para um panelaço e protestos anti-corrupção e depois uma nova parada na Assembléia Legislativa para novo panelaço e manifestações.
Organização: Organizado pela ONG Iluminar e pela sociedade civil em geral e por todos os cidadãos indignados com o atual estado de coisas reinante em nossa política.Participantes: ONG Iluminar, pessoas da sociedade civil, representantes das áreas: cultural, artística (vários grupos teatrais se prontificaram a comparecer caracterizados e protagonizarem encenações e chacotas)
