segunda-feira, janeiro 15, 2018

Poesia de Luiza Romão

queria escrever a palavra br*+^%
a palavra br*+^% queria escrever
palavra br*+^% escrever queria
BRASIL
queria escrever a palavra brasil
aquela em nome da qual
tanto homem se faz bicho
tanto bandido, general
aquele em nome de quem
a borracha vira bala
o policial, homem de bem
aquela empunhado em canto
legitima em docs
que esconde pranto
mãe do dops
aquela palavra-conceito-racista-estreito-machista-moderna-país-colônia-produto-perfeito
queria escrever a palavra brasil
mas a caneta 
num ato de legítima revolta
como quem se cansa de reproduzir sempre a mesma história
me disse
PARA
e VOLTA
pro começo da frase
do livro da história
volta pra cabral e as cruzes lusitanas
e se pergunte
DA ONDE VEM ESSE NOME?
palavra mercadoria
brasil
PAU-BRASIL
o pau branco hegemônico
metido à torto e à direto
suposto direito histórico
de violar mulheres
o pau à pique
de arara
pau de sebo
o pau patriarcal
cara e orgulho nacional
A COLONIZAÇÃO FOI PELO ÚTERO
matas virgens
virgens morta
A COLONIZAÇÃO FOI UM ESTUPRO
deodoro metendo a espada
entre as pernas
de uma princesa babel
pedro ejaculando-se
dom precoce
costa e silva gemendo cinco vezes
ai ai ai ai ai
ai-5
getúlio juscelino geisel
collor jânio sarney
a decisão sempre da cabeça
do membro ereto
são à favor da redução
mas vê vida de um feto
é o pau-brasil
multiplicado trinta e três vezes
e enfiado numa só garota
olho pra caneta e tenho certeza
não escreverei mais
o nome desse país
enquanto estupro for prática diária
e o modelo de mulher
a mãe gentil"



[luiza romão]

quinta-feira, setembro 13, 2012

My there nowhere

My there nowhere
"There is no there there"

I will not justify

justify the self,
the weirdness,

justify their mistakes
their fears


you open your mouth
they close their eyes
from your heart to your feet
the path is misleading
you take a step into time
no now, neither
you shall not because they cannot.

No Passarán
what is the cost of you becoming white?

We are suffocated.

I will not justify for their






quarta-feira, agosto 22, 2012

To the crazy ones

Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. While some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do. - Apple Inc.

quinta-feira, agosto 16, 2012


"I have lived that moment of the scattering of the people that in other times and other places, in the nations of others, becomes a time of gathering. Gatherings of exiles and émigrés and refugees; gathering on the edge of 'foreign' cultures; gathering at the frontiers; gatherings in the ghettos or cafés of city centres; gathering in the half-life, half-light of foreign tongues, or in the uncanny fluency of another's language; gatherings the signs of approval and acceptance, degrees, discourses, disciplines; gathering the memories of underdevelopment, of other worlds lived retroactively; gathering the past in a ritual of revival; gathering the present. Also the gathering of people in diaspora: indentured, migrant, interned; the gathering of incriminatory statistics, educational performance, legal statutes, immigration status - the genealogy of that lonely figure that John Berger named the seventh man. The gathering of clouds from which the Palestinian poet Mahmoud Darwish asks 'where should the birds fly after the last sky?'"
Homi K. Bhabha

quarta-feira, abril 25, 2012

Gustavo Taretto - cineasta argentino



Biography

Gustavo Taretto was born in Buenos Aires in 1965. In 1983 he started attending different photography workshops, black & white and color. At the same time, he studied music and started to attend to script and direction workshops. In 1993 he started working as a creative in an advertising agency. After 14 years, he reached the executive creative direction in Ogilvy Argentina. He received several awards in festivals arround the world, among others the Gold Lion in 2002.
In 1999 he joined the school of the master José Martinez Suarez. Where he wrote and directed 3 short films, LAS INSOLADAS, CIEN PESOS and MEDIANERAS, which has received more than 40 international awards, including the Gran Prix in Clemont Ferrand, 2006. His fourth short film HOY NO ESTOY has been premiered in Locarno and received the Leopard of domain for the Best Short Film.
Hoy No estoy : http://vimeo.com/25468363
Medianeras: http://vimeo.com/23266375
Una vez mas: http://www.youtube.com/watch?v=cwaJzsDLNgA&feature=related

segunda-feira, abril 02, 2012

23:30. Se ela te quisesse, ela teria te dito. Agosto.
Das estacões. A gosto.
Ninguém sabe o que passa na mente do poeta.
Na verdade, ninguém sabe.
Chove aqui, chove acolá.
Tossem aqui, tossem acolá.
Ocular. Oco. lá. Ocultar.
Entre tantas, entre poucas
Entre nuas poucas bocas.
Entre elas, entre pernas.
No cair da noite,
No cair das pálpebras.

A little spring poem

A little spring poem

Through the window,

The roses dance to the sound of the wind

The company of the unheard rose’s dance

is like a lively jazz.

Here, stays

The sweetest sadness.

The hours.

The being.

Roses, roses, roses

Let me get back.

Ma fleur

The unsaid lament
The beauty is wordless
Time to throw down the finest wings
The pastoril symphony of moaning

A lucid dream

No happy-end at the end
Await, the waltz

There are kisses by the entrance.
Pieces by the closing door.
No arms wide open for the sprouting flower

'Vagabondly' in the mundane portrait
Another contradictory flower
I, young!

(this poem should be read with a French English accent)


Prelude #1

Chaosly phrasing reveries. A dreaming dance of words. Crafting the self.
Melodic motifs within infinite possibilities.
The moment of time, the moment of being.
Welcome!




terça-feira, março 06, 2012

The-first-months-of-the-year playlist

1. What you know - Two door cinema club
2. We are young - Fun
3. Cough Syrup - Young the Giant
4. 1983 - Neon Tress
5. Animal - Neon Trees
6. The cave - Mumford and sons
7. Little Lion Man - Mumford and Sons
8. Undisclosed Desires - Muse
9. Changing - The Airborne Toxic Event
10. Simple Song - The Shins
11. Howlin' for you - Black Keys
12. Somebody that I used to know - Gotye

http://www.youtube.com/watch?v=j51LRUjIdnE&list=PLA4CB05DBF179FC1E&feature=plpp_play_all


sexta-feira, março 02, 2012

A dama da noite - Caio Fernando de Abreu

Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante. Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá. Você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?
Nada, você não entende nada. Dama da noite. todos me chamam e nem sabem que durmo o dia inteiro. Não suporto: luz, também nunca tenho nada pra fazer - o quê? Umas rendas aí. É, macetes. Não dou detalhe, adianta insistir. Mutreta, trambique, muamba. Já falei: não adianta insistir, boy . Aprendi que, se eu der detalhe, você vai sacar que tenho grana e se eu tenho grana você vai querer foder comigo só porque eu tenho grana. E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor. Pára de rir, senão te jogo já este copo na cara. Pago o copo, a bebida. Pago o estrago e até o bar, se ficar a fim de quebrar tudo. Se eu tô tesuda e você anda duro e eu precisar de cacete, compro o teu, pago o teu. Quanto custa? Me diz que eu pago. Pago bebida, comida, dormida. E pago foda também, se for preciso.
Pego, claro que eu pego. Pego sim, pego depois. É grande? Gosto de grande, bem grosso. Agora não. Agora quercì falar na roda. Essa roda, você não vê, garotão? Está por aí. rodando aqui mesmo. Olha em volta, cara. Bem do teu lado. Naquela mina ali, de preto, a de cabelo arrepiadinho. Tá bom, eu sei: pelo menos dois terços do bar veste preto e tem cabelo arrepiadinho, inclusive nós. Sabe que, se há uns dei anos eu pensasse em mim agora aqui sentada com você, eu não ia acreditar? Preto absorve vibração negativa, eu pensava. O contrário de branco, branco reflete. Mas acho que essa moçada tá mais a fim mesmo é de absorver, chupar até o fundo do mal - hein? Depois, até posso. Tem problema, não. Mas não é disso que estou falando agora, meu bem.
Você não gosta? Ah, não me diga, garotinho. Mas se eu pago a bebida, eu digo o que eu quiser, entendeu? Eu digo meu-bem assim desse jeito, do jeito que eu bem entender. Digo e repito: meu-bem-meu-bem-meu-bem. Pego no seu queixo a hora que eu quiser também, enquanto digo e repito e redigo meu-bem-meu-bem. Queixo furadinho, hein? Já observei que homem de queixo furadinho gosta mesmo é de dar o rabo. Você já deu o seu? Pelo amor de Deus, não me venha com aquela história tipo sabe, uma noite, na casa de um pessoal em Boiçucanga, tive que dormir na mesma cama com um carinha que.
Todo machinho da sua idade tem loucura por dar o rabo, meu bem. Ascendente Câncer, eu sei: cara de lua, bunda gordinha e cu aceso. Não é vergonha nenhuma: tá nos astros, boy. Ou então é veado mesmo, e tudo bem.
Levanta não, te pago outra vodca, quer? Só pra deixar eu falar mais na roda. Você é muito garoto, não entende dessas coisas. Deixa a vida te lavrar a cara, antes, então a gente. Bicho, esquisito: eu ia dizer alma, sabia? Quer que eu diga? Tá bom, se você faz tanta questão, posso dizer. Será que ainda consigo, como é que era mesmo? Assim: deixa a vida te lavrar a alma, antes, então a gente conversa. Deixa você passar dos trinta, trinta e cinco, ir chegando nos quarenta e não casar e nem ter esses monstros que eles chamam de filhos, casa própria nem porra nenhuma. Acordar no meio da tarde, de ressaca, olhar sua cara arrebentada no espelho. Sozinho em casa, sozinho na cidade, sozinho no mundo. Vai doer tanto, menino. Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha.
A roda? Não sei se é você que escolhe, não. Olha bem pra mim - tenho cara de quem escolheu alguma coisa na vida? Quando dei por mim, todo mundo já tinha decorado a tal palavrinha-chave e tava a mil, seu lugarzinho seguro, rodando na roda. Menos eu, menos eu. Quem roda na roda fica contente. Quem não roda se fode. Que nem eu, você acha que eu pareço muito fodida? Um pouco eu sei que sim, mas fala a verdade: muito? Falso, eu tenho uns amigos, sim. Fodidos que nem eu. Prefiro não andar com eles, me fazem mal. Gente da minha idade, mesmo tipo de. Ia dizer problema, puro hábito: não tem problema. Você sabe, um saco. Que nem espelho: eu olho pra cara fodida deles e tá lá escrita escarrada a minha própria cara fodida também, igualzinha à cara deles. Alguns rodam na roda, mas rodam fodidamente. Não rodam que nem você. Você é tão inocente, tão idiotinha com essa camisinha Mr. Wonderful. Inocente porque nem sabe que é inocente. Nem eles, meus amigos fodidos, sabem que não são mais. Tem umas coisas que a gente vai deixando, vai deixando, vai deixando de ser e nem percebe. Quando viu, babau, já não é mais. Mocidade é isso aí, sabia? Sabe nada: você roda na roda também, quer uma prova? Todo esse pessoal da preto e cabelo arrepiadinho sorri pra você porque você é igual a eles. Se pintar uma festa, te dão um toque, mesmo sem te conhecer. Isso é rodar na roda, meu bem.
Pra mim, não. Nenhum sorriso. Cumplicidade zero. Eu não sou igual a eles, eles sabem disso. Dama da noite, eles falam, eu sei. Quando não falam coisa mais escrota, porque dama da noite é até bonito, eu acho. Aquela flor de cheiro enjoativo que só cheira de noite, sabe qual? Sabe porra: você nasceu dentro de um apartamento, vendo tevê.
Não sabe nada. fora essas coisas de vídeo, performance, high-tech, punk, dark. computador, heavy-metal e o caralho. Sabia que eu até vezenquando tenho mais pena de você e desses arrepiadinhos de preto do que de mim e daqueles meus amigos fodidos? A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar. sabe quando vai dar? Pra vocês, nem isso. A gente teve a ilusão, mas vocês chegaram depois que mataram a ilusão da gente.
Tava tudo morto quando você nasceu, boy, e eu já era puta velha. Então eu tenho pena. Acho que sou melhor, sei porque peguei a coisa viva. Tá bom, desculpa, gatinho. Melhor, melhor não. Eu tive mais sorte, foi isso? Eu cheguei antes. E até me pergunto se não é sorte também estar do lado de fora dessa roda besta que roda sem fim, sem mim. No fundo, tenho nojo dela - você?
Você não viu nada, você nem viu o amor. Que idade você tem, vinte? Tem cara de doze. Já nasceu de camisinha em punho, morrendo de medo de pegar Aids. Vírus que mata. neguinho, vírus do amor. Deu a bundinha, comeu cuzinho. pronto: paranóia total. Semana seguinte, nasce uma espinha na cara e salve-se quem puder: baixou Emílio Ribas. Caganeira, tosse seca, gânglios generalizados.
Õ boy, que grande merda fizeram com a tua cabecinha, hein? Você nem beija na boca sem morrer de cagaço. Transmite pela saliva, você leu em algum lugar. Você nem passa a mão em peito molhado sem ficar de cu na mão. Transmite pelo suor, você leu em algum lugar. Supondo que você lê, claro. Conta pra tia: você lê, meu bem? Nada, você não lê nada. Você vê pela tevê, eu sei. Mas na tevê também dá, o tempo todo: amor mata amor mata amor mata. Pega até de ficar do lado, beber do mesmo copo. Já pensou se eu tivesse? Eu, que já dei pra meia cidade e ainda por cima adoro veado.
Eu sou a dama da noite que vai te contaminar com seu perfume venenoso e mortal. Eu sou a flor carnívora e noturna que vai te entontecer e te arrastar para o fundo de seu jardim pestilento. Eu sou a dama maldita que, sem nenhuma piedade, vai te poluir com todos os líquidos, contaminar teu sangue com todos os vírus. Cuidado comigo: eu sou a dama que mata, boy. Já chupou buceta de mulher? Claro que não, eu sei: pode matar. Nem caralho de homem: pode matar. Já sentiu aquele cheiro molhado que as pessoas têm nas virilhas quando tiram a roupa? Está escrito na sua cara, tudo que você não viu nem fez está escrito nessa sua cara que já nasceu de máscara pregada. Você já nasceu proibido de tocar no corpo do outro. Punheta pode, eu sei, mas essa sede de outro corpo é que nos deixa loucos e vai matando a gente aos pouquinhos. Você não conhece esse gosto que é o gosto que faz com que a gente fique fora da roda que roda e roda e que se foda rodando sem parar, porque o rodar dela é o rodar de quem consegue fingir que não viu o que viu. O boy, esse mundo sujo todo pesando em cima de você, muito mais do que de mim e eu ainda nem comecei a falar na morte...
Já viu gente morta, boy? É feio, boy. A morte é muito feia, muito suja, muito triste. Queria eu tanto ser assim delicada e poderosa, para te conceder a vida eterna. Queria ser uma dama nobre e rica para te encerrar na torre do meu castelo e poupar você desse encontro inevitável com a morte. Cara a cara com ela, você já esteve? Eu, sim, tantas vezes. Eu sou curtida, meu bem. A gente lê na sua cara que nunca. Esse furinho de veado no queixo, esse olhinho verde me olhando assim que nem eu fosse a Isabella Rossellini levando porrada e gostando e pedindo eat me eat me, escrota e deslumbrante. Essa tontura que você está sentindo não é porre, não. É vertigem do pecado, meu bem, tontura do veneno. O que que você vai contar amanhã na escola, hein? Sim, porque vocé ainda deve ir à escola, de lancheira e tudo. Já sei: conheci uma mina meio coroa, porra-louca demais. Cretino, cretino, pobre anjo cretino do fim de todas as coisas. Esse caralhinho gostoso aí, escondido no meio das asas, é só isso que você tem por enquanto. Um caralhinho gostoso, sem marca nenhuma. Todo rosadinho. E burro. Porque nem brochar você deve ter brochado ainda. Acorda de pau duro, uma tábua, tem tesão por tudo, até por fechadura. Quantas por dia? Muito bem, parabéns: você tá na idade. Mas anota aí pro teu futuro cair na real: essa sede, ninguém mata. Sexo é na cabeça: você não consegue nunca. Sexo é só na imaginação. Você goza com aquilo que imagina que te dá o gozo, não com uma pessoa real, entendeu? Você goza sempre com o que tá na sua cabeça, não com quem tá na cama. Sexo é mentira, sexo é loucura, sexo é sozinho, boy.
Eu, cansei. Já não estou mais na idade. Quantos? Ah, você não vai acreditar, esquece. O que importa é que você entra por um ouvido meu e sai pelo outro, sabia? Você não fica. você não marca. Eu sei que fico em você, eu sei que marco você. Marco fundo. Eu sei que, daqui a um tempo, quando você estiver rodando na roda, vai lembrar que, uma noite. sentou ao lado de uma mina louca que te disse coisas, que te falou no sexo, na solidão, na morte. Feia, tão feia a morte, boy. A pessoa fica meio verde, sabe? Da cor quase assim desse molho de espinafre frio. Mais clarinho um pouco, mas isso nem é o pior. Tem uma coisa que já não está mais ali, isso é o mais triste. Você olha, olha e olha e o corpo fica assim que nem uma cadeira.
Uma mesa, um cinzeiro, um prato vazio. Uma coisa sem nada dentro. Que nem casca de amendoim jogada na areia, é assim que a gente fica quando morre, viu, boy? E você, já descobriu que um dia também vai morrer?
Dou, claro. Ficou nervosinho, quer cigarro? Mas nem fumar você fuma, o quê? Compreendo, compreendo sim, eu compreendo sempre, sou uma mulher muito compreensiva. Sou tão maravilhosamente compreensiva e tudo que, se levar você pra minha cama agora e amanhã de manhã você tiver me roubado toda a grana, não pense que vou achar você um filho da puta. Não é o máximo da compreensão? Eu vou achar que você tá na sua, um garotinho roubando uma mulher meio pirada, meio coroa, que mexeu com sua cabecinha de anjo cretino desse nojento fim de todas as coisas. Tá tudo bem, é assim que as coisas são: ca-pi-ta-lis-tas, em letras góticas de neon. Mulher pirada e meio coroa que nem eu tem mais é que ser roubada por um garotinho ïmbecil e tesudinho como você. Só pra deixar de ser burra caindo outra vez nessa armadilha de sexo.
Fissura, estou ficando tonta. Essa roda girando girando sem parar. Olha bem: quem roda nela? As mocinhas que querem casar, os mocinhos a fim de grana pra comprar um carro, os executivozinhos a fim de poder e dólares, os casais de saco cheio um do outro, mas segurando umas. Estar fora da roda é não segurar nenhuma, não querer nada. Feito eu: não seguro picas, não quero ninguém. Nem você. Quero não, boy. Se eu quiser, posso ter. Afinal, trata-se apenas de um cheque a menos no talão, mais barato que um par de sapatos. Mas eu quero mais é aquilo que não posso comprar. Nem é você que eu espero, já te falei. Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros ecmo você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro.
Só por ele, por esse que ainda não veio, te deixo essa grana agora, precisa troco não, pego a minha bolsa e dou a fora já. Está quase amanhecendo, boy. As damas da noite recolhem seu perfume com a luz do dia. Na sombra, sozinhas. envenenam a si próprias com loucas fantasias. Divida essa sua juventude estúpida com a gatinha ali do lado, meu bem. Eu vou embora sozinha. Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui. continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Parada pateta ridícula porra-louca solitária venenosa. Pós-tudo, sabe como? Darkérrima, modernésima, puro simulacro.
Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

On Bob Dylan

Bob Dylan - The Cambridge Companion:

* "Dylan imported the French symbolists' strategy of suggesting rather than delineating his subjects, a style of lyrical impressionism fully consonant with the introspective (and sometimes hallucinogen-enhanced) listening styles of the time".


segunda-feira, novembro 08, 2010

Van Gogh, Gauguin, Cézanne and Beyond: Post-Impressionist Masterpieces from the Musée d’Orsay - San Francisco

The second of two exhibitions from the Musée d’Orsay’s permanent collection, Van Gogh, Gauguin, Cézanne and Beyond: Post-Impressionist Masterpieces from the Musée d’Orsay follows on the heels of the first with a selection of the most famous late-Impressionist paintings by Claude Monet and Auguste Renoir, as well as works representing the individualist styles of the early modern masters, including Vincent van Gogh, Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin, and the Nabis Pierre Bonnard and Édouard Vuillard.

It is here where the Orsay’s collection shines brightest with masterpieces such as Van Gogh’s Starry Night over the Rhone, a haunting Portrait of the Artist, and Bedroom at Arles. The exhibition includes a superior collection of paintings from the Pont-Aven school, including Gauguin’s masterpiece Self-Portrait with The Yellow Christ. The exhibition concludes with the Orsay’s spectacular collection of pointillist paintings, represented by the masters Georges Seurat and Paul Signac.

Slingshot Art Gallery - San Francisco

Saturday night, the city and its artistic space come as a surprise: the band, the noisy crowd, the dance of glasses and feet.
A short walk reaches an interesting exhibition that per se reaches my inner world, not so much because its quality, about which I don't have enough knowledge to describe, but mainly because its capacity of awakening.

sábado, novembro 14, 2009

Documentary Photography

Historians often regard photographs as a critical form of documentary evidence that hold up a mirror to past events. Public and scholarly faith in the realism of the photographic image is grounded in a belief that a photograph is a mechanical  reproduction of reality.

The photograph that has become known as "Migrant Mother" is one of a series of photographs that Dorothea Lange made of Florence Owens Thompson and her children in February or March of 1936 in Nipomo, California. Lange was concluding a month's trip photographing migratory farm labor around the state for what was then the Resettlement Administration. In 1960, Lange gave this account of the experience:

I saw and approached the hungry and desperate mother, as if drawn by a magnet. I do not remember how I explained my presence or my camera to her, but I do remember she asked me no questions. I made five exposures, working closer and closer from the same direction. I did not ask her name or her history. She told me her age, that she was thirty-two. She said that they had been living on frozen vegetables from the surrounding fields, and birds that the children killed. She had just sold the tires from her car to buy food. There she sat in that lean- to tent with her children huddled around her, and seemed to know that my pictures might help her, and so she helped me. There was a sort of equality about it. (From: Popular Photography, Feb. 1960).

quinta-feira, novembro 12, 2009

There's a Mystery There: Sendak on Sendak


About the Exhibition

Maurice Sendak has written or illustrated more than 100 picture books over his 60-year career. A number of those books, including Where the Wild Things AreIn the Night Kitchen, and Chicken Soup with Rice, inspired generations of children and changed the landscape of picture books. Included in the exhibition are original watercolors, preliminary sketches, drawings, and dummy books from more than 40 of Sendak's books, all from the Rosenbach Museum and Library in Philadelphia, the repository for Sendak's artwork and working materials. This major retrospective sheds light on the many mysteries of his life and art by exploring the intensely personal undercurrents in his work; and it does so using Sendak's own words, insights, and remarkable stories.

Sendak was born in Brooklyn in 1928, the youngest of three children. His parents, poor Jewish immigrants from Eastern Europe, suffered greatly from the loss of many family members in Poland during the Holocaust. The sadness and complexities of the Holocaust, the rich memories of his parent's lives in Europe, and his own childhood experiences with his Jewish relatives, are currents that run through all of Sendak's work. The exhibition explores a number of different aspects of Sendak's books including his child characters, monsters, literary and artistic influences, and the settings of his stories. Visitors will delve into the hidden nuances and personal secrets within Sendak's work through exclusive interviews with the artist on digital touch screens throughout the exhibition. As Sendak himself said in one such interview, "When you hide another story in a story, that's the story I am telling the children." These hidden stories within Sendak's work form the core experience of There's a Mystery There.

I love the book "Where the wild things are". I love the way it is written, specially when it is said:"mischief of one kind and another". I only got to know this book after I moved to California. It is not a popular book in Brazil. The exhibition is interesting because it allows one to get to know better Sendak and his works, which are really interesting and more wide than only his book "Where the wild things are". 

sábado, outubro 10, 2009

"Ensaio sobre a Cegueira" - CONTARDO CALLIGARIS


Folha de S.Paulo - Ilustrada 

 

São Paulo, quinta-feira, 18 de setembro de 2008 

 
CONTARDO CALLIGARIS 

"Ensaio sobre a Cegueira"

Somos capazes de tudo: o apocalipse nos testa e nos revela a nós mesmos e ao mundo

GOSTO DOS romances e dos filmes apocalípticos, ou seja, das histórias em que algum tipo de fim do mundo (guerra nuclear, invasão extraterrestre, epidemia etc.) nos força a encarar uma versão laica e íntima do Juízo Final. Nessa versão, Deus não avalia nosso passado, mas, enquanto o mundo desaba, nosso desempenho mostra quem somos realmente. No desamparo, quando o tecido social se esfarela e as normas perdem força e valor, conhecemos, enfim, nosso estofo "verdadeiro". Somos capazes do melhor ou do pior: o apocalipse nos testa e nos revela.
O primeiro romance apocalíptico (de 1826) talvez tenha sido "O Último Homem" (ed. Landmark), de Mary Shelley, que é também a autora de "Frankenstein". De fato, as duas obras são animadas pelo mesmo sonho: uma criatura radicalmente nova pode ser fabricada no bricabraque de um necrotério ou nascer das cinzas da civilização. Em ambos os casos, ela será sem história, sem ascendência, sem comunidade e, portanto, penosamente livre - para o bem ou para o mal.
No romance de Mary Shelley, aliás, a causa da catástrofe é uma epidemia, como na "Peste", de Camus, e como no "Ensaio sobre a Cegueira", de Saramago, que é agora levado para o cinema por Fernando Meirelles.
A obra de Meirelles é fiel ao livro que a inspira, mas, para contar a mesma história, consegue inventar uma eloqüência própria, sutil e forte. Por exemplo, o filme banha numa luz esbranquiçada e difusa que não é apenas (como foi dito e repetido) uma evocação da cegueira branca que aflige a humanidade: é a atmosfera ordinária de nosso universo desbotado, em que a trivialidade do cotidiano desvanece os contrastes - até que as sombras e os brilhos sejam revelados na "hora do vamos ver", que acontece, paradoxalmente, porque todos (ou quase todos) perdem a visão.
Depois de assistir ao filme, li algumas das críticas que ele recebeu em Cannes. A nota de Manohla Dargis, no "New York Times" de 16 de maio, por exemplo, é paradoxal: Dargis acusa o filme de ser uma Alegoria com "A" maiúscula, em que, aos personagens, faltaria espessura. Certo, os personagens de "Ensaio sobre a Cegueira" quase não têm história prévia, assim como a cidade em que os fatos acontecem (uma mistura de São Paulo com Toronto) é uma cidade moderna qualquer, cujas particularidades não contam. Essa, justamente, é a beleza do gênero: o surgimento quase abstrato de uma situação extrema, em que se trata de escolher e agir a partir de nada. O passado, o lugar não contam: os personagens são definidos por suas escolhas aqui e agora.
Dargis também se queixa da oposição que lhe parece excessiva, no filme, entre "os bons" e "os ruins", ou seja, entre os que, na cegueira, descobrem e aprimoram sua humanidade e os que a perdem. É uma queixa curiosa, pois, em quase todas as narrativas apocalípticas, a contraposição de retidão e bestialidade é o sinal de uma liberdade quase absoluta, angustiante: o fim do mundo é um bívio sem leis, sem flechas, sem compromissos, onde qualquer um pode escolher o horror ou a esperança. A oposição caricata dos bons e dos ruins expressa a incerteza do espectador, do leitor e do autor: "Você, se, por uma misteriosa epidemia, o mundo ficar cego, se o reino da lei acabar e começar a idade da luta pela sobrevivência, de que lado estará? Do lado dos que inventarão novas formas de abusos ou dos que descobrirão novas formas de respeito e de vida comum? Uma vez perdida a visão, o que você enxergará no seu vizinho: mais uma mulher para estuprar e um otário para explorar ou um irmão, perdido que nem você?"
No "Ensaio sobre a Cegueira" (de Meirelles e de Saramago), diferente do que acontece em muitas narrativas apocalípticas, a heroína é uma mulher, e as mulheres são as depositárias da esperança; elas saem engrandecidas pelas provas da situação extrema.
São elas que, para o bem de todos, entregam-se aos estupradores, aviltando não elas mesmas mas os que as violentam, com uma coragem que salienta a covardia dos maridos ciumentos ou zelosos de sua "honra". São elas que sabem cuidar de uma criança ou matar quando é preciso. São elas que reinventam a amizade (em cenas memoráveis: a das mulheres lavando o corpo da companheira espancada à morte e a das mulheres no chuveiro).
Aviso, caso, um dia, a gente tenha que recomeçar tudo do zero: em geral, as mulheres sabem, melhor do que os homens, o que é essencial na vida.

quinta-feira, junho 25, 2009

A de sempre - Carlos Drummond de Andrade

A de sempre

Carlos Drummond de Andrade


 — Até beber cerveja ficou difícil — queixa-se. 

— O preço?

— Não. A variedade. O embaras du choix.

— Mas se você já estava acostumado com uma...

— E as novas que aparecem? Em cada Estado surge uma fábrica, se não surgem duas. Cada qual oferecendo diversas qualidades. Você senta no bar de sua eleição, um velho bar onde até as cadeiras conhecem o seu corpo, a sua maneira de sentar e de beber. Pede uma cervejinha, simplesmente. Não precisa dizer o nome. Aquela que há anos o garçom lhe traz sem necessidade de perguntar, pois há anos você optou por uma das duas marcas tradicionais, e daí não sai. Bem, você pede a cervejinha inominada, e o garçom não se mexe. Fica olhando pra sua cara, à espera de definição. Você olha para cara dele, como quem diz: Quê que há, rapaz? Então ele emite um som: Qual? Você pensa que não ouviu direito, franze a testa, num esforço de captação: qual o quê? Qual a marca, doutor? Temos essa, aquela, aquela outra, mais outra, e outra, e outras mais. . Desfia o rosário, e você de boca aberta: Como? Ele está pensando que eu vou beber elas todas? Acha que sou principiante em busca de aventura? Quer me gozar? Nada disso. O garçom explica, meio encabulado, que a casa dispõe de 12 marcas de cerveja nacional, fora as estrangeiras, sofisticadas, e ele tem ordem de cantar os nomes pra freguesia. Até pra mim, Leovigil? pergunto. Bem, o patrão disse que eu tenho de oferecer as marcas pra todo mundo, as novas cervejas têm de ser promovidas. Não mandou abrir exceção pra ninguém, eu é que, em atenção ao doutor, fiquei calado, esperando a dica... Não quis forçar a barra, desculpe.

— E aí?

— Aí eu disse que não havia o que desculpar, ordens são ordens e eu não sou de infringir regulamentos. Os regulamentos é que infringem a minha paz, freqüentemente. Mas para não dar o braço a torcer, nem me declarar vencido pela competição das cervejas, concluí: Leovigil, traga a de sempre.

— Não quis dizer o nome?

— Não. Minha marca de cerveja — "minha garrafa", digamos assim, pois a individualidade começa pela garrafa — passou a chamar-se "a de sempre". Não gosto de mudar as estruturas sem justa causa, nem me interessa dançar de provador de cerveja, entende?

— Mas que custa experimentar, homem de Deus?

— Só por experimentar, acho frívolo. Os moços, sim, não encontraram ainda sua definição, em matéria de cerveja e de entendimento do mundo. Saltam de uma para outra fruição, tomam pileques de ideologias coloridas, do vermelho ao negro, passando pelo róseo, pelo alaranjado e pelo furta-cor. Mas depois de certa idade, e de certa experiência de bebedor, você já sabe o que quer, ou antes, o que não quer. Principalmente o que não quer. E é isso que os outros querem que você queira. Tá compreendendo?

— Mais ou menos.

— Na verdade, não há muitas espécies de cerveja, no mundo das idéias. Mas os rótulos perturbam. Uns aparecem com mulher nua, insinuando que o gosto é mais capitoso. Bem, até agora não vi rótulo de cerveja mostrando mulher com tudo de fora, mas deve haver. Mulher se oferecendo está em tudo que é produto industrial, por que não estaria nos sistemas de organização social, como bonificação?

— Você está divagando.

— Estou. Divagar é uma forma de transformar pensamentos em nuvem ou em fumaça de cigarro, fazendo com que eles circulem por aí.

— Ou se percam.

— E se percam. Exatamente. 0 importante não é beber cerveja, é ter a ilusão de que nossa cerveja é a única que presta. 

Sujeito mais conservador! Ou sábio, quem sabe?


Texto extraído do livro “De notícias & não notícias faz-se a crônica”, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1974, pág. 137.

quarta-feira, junho 17, 2009

3 strategies to get more veggies from a small garden

Most commercial farms concentrate on growing a few select crops to supply to a wide variety of customers — but gardening at home is a different story entirely. Most backyard food gardeners are looking to supplement their family’s grocery store purchases with an abundant variety of seasonal vegetables, fruits and herbs throughout the growing season.

For those of us who face time and space constraints in our gardening endeavors, combining crops within the same planting areas makes a lot of sense. Try these three proven crop-combining techniques to boost crop productivity from your small home garden and get more sustained and bountiful vegetable harvests.

Crop-combining gardening techniques are particularly well-suited to organic gardening, which relies on natural techniques to control garden pests and maximize crop productivity rather than using chemical fertilizers and pesticides.

1. Interplanting

The most common way to combine garden crops is via an age-old technique called interplanting, which in essence means planting various garden edibles with different growth and spacing attributes together in the same soil beds or rows.

One example involves combining fast-maturing vegetables, such as lettuce, field greens or beets, with slower-maturing ones like winter squash or pole beans. According to Our Garden Gang, mixing tall plants like sweet corn, peas or staked tomatoes with low-growing crops such as melons or radishes is another way to maximize diversity and yield.

2. Vertical gardening

Vertical gardening is a space-saving way to combine low-growing crops with plants that produce vines and can be grown on trellises, or on fences along the edges of a garden. Vertical gardening can concentrate much more production into each square foot of planting area.

Better Homes and Gardens recently reported that crops grown off the ground “tend to be healthier because they are less likely to contract fungus infections or soil-borne leaf diseases.”

Tomatoes, pole beans, cucumbers, snap peas, melons and winter squash are all examples of crops suitable for vertical gardening if staked or supported properly. 

3. Succession planting

Another common technique often employed by “weekend gardeners," whether their gardens are organic or not, is succession planting, which entails replacing a finished crop with a different one, or planting a single crop in small amounts over an extended period of time.

Examples of using succession planting techniques include:

  • Replacing a spring crop with a summer crop, such as planting cucumbers — which thrive in warmer weather — where the peas had been growing earlier.
  • Staggering the planting of seeds over the course of the growing season to ensure a continuing supply as long as possible.
  • Planting both early- and late-maturing varieties of the same type of crop around the same time and harvesting the resulting crops successively. Tomatoes and corn, for example, each come in varieties that ripen at different times during their respective growing seasons.

Crops that are particularly well-suited to succession planting include bush beans, lettuce, spinach and radishes, each of which have long growing seasons but can be harvested after only a few weeks.

 

While it may be easy to get carried away with edible gardening, don’t forget to plant a few flowers to spruce up the look of your garden and attract bees to help pollinate your food crops. Marigolds and sunflowers are good choices as they are relatively easy to grow organically and tend to attract lots of bees.

sábado, junho 06, 2009

Opera - Tosca - Giacomo Puccini

An idealistic artist, a celebrated singer and a corrupt police chief engage in a fierce battle of wills in this tempestuous tale of cruelty and deception. With its themes of political intrigue, sexual intimidation and official hypocrisy, Puccini’s great melodrama set in 1800 is anything but dated. Canadian soprano Adrianne Pieczonka, praised by The New York Times for her “lushly beautiful sound and poignant vulnerability,” makes her Company debut in the title role. Baritone Lado Ataneli (Scarpia) has been praised by the Los Angeles Times as possessing “one of the healthiest, roundest, most mellifluous voices on the planet.” Honey-voiced Italian tenor Carlo Ventre makes up the third side of this fatal love triangle.




ACT I

Cesare Angelotti, a political prisoner who has just escaped from the jail at Castel Sant'Angelo, seeks refuge in the Attavanti chapel of the church of Sant'Andrea della Valle. He hides at the approach of the Sacristan who is soon followed by the painter Mario Cavaradossi. The Sacristan recites the Angelus while Cavaradossi climbs the scaffold and begins to work on his painting, pausing to admit that his portrait of the Mary Magdalene was first inspired not only by an unknown lady who came to pray to the Virgin, but also by his beloved Floria Tosca, a famous Roman opera singer. The scandalized Sacristan leaves. Angelotti comes out of hiding and asks for Cavaradossi's assistance. The painter, thrusting a lunch basket into his hands, urges Angelotti back into the chapel as the voice of Tosca is heard. He hides as Cavaradossi admits Tosca into the church. She demands to know why she was kept waiting, and suspects Cavaradossi of talking to another woman. He reassures her of his love, and the pair agree to meet that evening at Cavaradossi's villa. With Tosca gone, Angelotti reappears and Cavaradossi vows to save him. A cannon shot is heard announcing the escape of a prisoner: Angelotti. Cavaradossi leaves with the pursued man in order to hide him at his villa. The Sacristan returns and gathers choristers around him, telling them they must rehearse for a special performance of a cantata that evening celebrating a defeat of Napoleon; Tosca will be the soloist. At that moment, the Roman chief of police, Baron Scarpia, arrives searching for Angelotti. His men find the Attavanti chapel open, but all that remains is a fan with the family crest on it and the empty lunch basket. The Sacristan expresses amazement, as earlier he had noticed that the painter had not touched his meal. Scarpia puts two and two together and realizes that Cavaradossi had aided Angelotti's escape. Suddenly Tosca returns and Scarpia uses the fan to convince her that Cavaradossi has fled with another woman, thus awakening jealousy in her. He hopes Tosca will then lead him to Cavaradossi and thus to Angelotti. He orders his spies to follow her as she leaves the church, then joins in the Te Deum, swearing he will capture not only the painter, but Tosca as well.

ACT II

Scarpia is dining alone in his quarters in the Farnese Palace, anticipating the pleasure of bending Tosca to his will. His henchman Spoletta appears and reports that Tosca has led Scarpia's spies to a remote village, and though Angelotti was not to be found, they arrested Cavaradossi. The painter is brought in as Tosca's voice is heard from the concert in the courtyard below. Tosca, who had been summoned by Scarpia, is shocked to see Cavaradossi who quietly warns her to reveal nothing about Angelotti. Scarpia tries to get the location of Angelotti's hiding place from her, but she insists that she knows nothing. When Cavaradossi is put to torture in the next room, she reveals the secret and asks Scarpia for Cavaradossi's freedom in return. Scarpia has Cavaradossi brought back in. Delirious from torture, Cavaradossi hears Scarpia order his men to the villa, curses Tosca, and cries defiance at the tyranny of Scarpia and the foreign oppressors he represents. Word arrives that the earlier report of Napoleon's defeat at Marengo was incorrect. Instead, Napoleon was the victor. Cavaradossi cries out with joy and is dragged from the room to prison. Tosca pleads for her lover's life, and Scarpia offers her an exchange: if she will give herself to him, he will give Cavaradossi back to her. In despair she pleads for mercy, protesting that she has never done anything to deserve being faced with such a terrible choice, but realizes she must agree to the bargain. Scarpia tells Tosca there must be a mock execution and circuitously orders Spoletta to make preparations for a real one. He then prepares a safe-conduct pass for Tosca and Cavaradossi and comes to claim his prize. She grabs a knife from the table and stabs him, then takes the pass and flees the room.

ACT III

On the terrace of Castel Sant'Angelo, outside the prison, the voice of a shepherd is heard at dawn while one by one the bells of Rome strike the hour. Cavaradossi is brought in for his execution, which is an hour away. He bribes the jailer with a ring for permission to write a farewell letter to Tosca. Left alone, he recalls pleasant memories of her. She suddenly hurries in, explaining that there is to be a mock execution in which he is to pretend to have been shot. She also tells him about Scarpia's murder and of the safe-conduct pass that will get them out of Rome before the murder is discovered. He can hardly believe the news and looks in wonder at the delicate hands that did so much to save him. The lovers ecstatically plan for the future but are interrupted by the arrival of the soldiers. As the firing squad advances and takes aim, Tosca retires with a final word to Cavaradossi about how to fall realistically. The soldiers fire and Cavaradossi falls. Tosca bids him to wait until they are gone and then asks him to rise and come away with her. She hurries to Cavaradossi and is horrified to discover that he is dead and that the execution was real after all. Distant shouts announce that Scarpia's murder was discovered. As Spoletta, Sciarrone, and the soldiers rush in to seize Tosca, she climbs to the fortress parapet and leaps to her death.